sábado, 9 de outubro de 2010

Vamos passear de guarda-chuva!



Por Pedro Luís & A Parede / Adriana calcanhoto / E claro, Machado de Assis.
Guarda-chuva / Sam Spencer

domingo, 12 de setembro de 2010

SUSTENTABILIDADE




A gente tem ouvido tanto falar em Economia Criativa, em Sustentabilidade e parece algo novo e completamente distante. É como se tivéssemos que nos adequar a um novo mundo, e de fato o é.
No entanto, algumas pessoas já são sustentáveis há séculos. São pessoas que sabem o valor do que seja intangível nas suas relações, nas suas escolhas e no modo de se relacionarem com o mundo. Essas pessoas já estão plantando há tempos o futuro com suas ações, pois já sabiam ou pressentiam o que poderia se materializar ao longo dos tempos, atingindo patamares desejáveis. Com tempos menos sombrios, mais afetuosos, mais leais e menos estressantes.
As fotos acima são um exemplo disso:
É a foto de um cachecol feito a partir de uma blusa de lã que havia sido descartada. A blusa foi desmanchada e a partir dela foi feito o novo cachecol!
Uma idéia simples, mas que contém nela os elementos da sustentabilidade.

sábado, 21 de agosto de 2010

Copan




I ♥ COPAN


O Edifício acima é o Copan edificação projetada por Oscar Niemayer. Com certeza o Copan é uma das obras de arte mais famosas de Sampa. O prédio todo de concreto conta com curvas delicadas. 

Inaugurado em 1962, o prédio é o maior edifício residencial do Brasil, com 120 mil metros quadrados de área construída contando com 1160 apartamentos que variam de 26 a 350 metros quadrados distribuídos em 6 blocos, 221 garagens nos subsolos e Vinte elevadores. Há quem diga que ele é o edifício residencial mais populoso do mundo, por conta disso estaria no Guiness Book. A população flutuante do edifício é imensa, contendo em torno de 6500 pessoas, diariamente. O Copan tem até CEP exclusivo dado pelos Correios.

No térreo do Edifício cerca de 70 lojas funcionam dentre elas: uma igreja, um alfaiate, um fast food chinês, quatro restaurantes, uma lavanderia, dois cafés, uma videolocadora, cinco telefones públicos, uma doceria, uma agência de turismo, uma papelaria e um despachante.

Oscar Niemeyer não "assina" sua obra pelo fato do projeto original ter sido duramente modificado. No projeto original, encomendado pela Companhia Pan-Americana de Hotéis e Turismo, estavam contidos ainda escritórios e um hotel (atual prédio do bradesco - adaptado). A torre de escritórios não chegou a ser construída. O hotel e o teatro nunca saíram do papel e os apartamentos dos blocos E e F, que contariam com 3 dormitórios, foram redivididos em quitenetes e apartamentos de 1 quarto. 

Niemeyer idealizou o Copan como um lugar onde pessoas de diferentes organizações familiares, classes sociais e culturais pudessem conviver em harmonia.

De fato, I ♥ COPAN

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo



Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser.

Do poema Passagem das Horas, Álvaro de Campos, Fernando Pessoa. Extraído do Disco Drama 3°Ato, 1973, Maria Bethânia

sábado, 31 de julho de 2010

Privacidade & Visibilidade

google1
Em breve vamos poder ver o interior de um restaurante através de um novo serviço do GOOGLE. Os testes estão sendo feitos em 30 cidades nos EUA, Austrália e Japão.

Disponível na página Google Places, o serviço foi oficialmente lançado há alguns dias atrás e oferece uma visão panorâmica dos interiores dos espaços comerciais. Neste primeiro momento, os negócios nas zonas de teste podem mesmo solicitar uma visita do Google aos seus estabelecimentos.

Não satisfeito por tornar as ruas das cidades de todo o mundo acessíveis através do Street View, o Google agora quer nos levar para dentro das lojas e restaurantes. Só vai ficar faltando entrar dentro dos cômodos das nossas casas. 

domingo, 9 de maio de 2010



Aos meus amigos blogueiros, e aos outros amigos que vez por outra entram aqui:
Comunico com carinho e respeito que estou dando uma pausa no blog, faço isso com uma ‘dó danada’, mas é que não tenho tido tempo de vir aqui, e a postagem do jeito que me é possível no momento, não me satisfaz.

Prezo muito o contato com os amigos que fiz aqui e espero ter tempo de visitar, sempre que puder, todos vocês. Mas é que chega um momento em que a gente precisa definir metas e se organizar. Comecei o mestrado na PUC-Rio e preciso me dedicar plenamente. A tarefa exige!!
Deixo, por enquanto esta foto minha, menina ainda, feita num tempo em que a vida era um descobrir horizontes diferentes. Acho que estou neste momento novamente.


Um abraço afetuoso,
LILI

domingo, 25 de abril de 2010

Em tempos de pichação



Pensamento PiXação
por Marcia Tiburi

Para questionar a estética da fachada

A revolta geral da sociedade contemporânea contra a pichação se ampara na hipótese de seu caráter violento. Usarei a expressão pixação, com X, para tentar tocar no X da questão. A estética da brancura ou do liso dos muros, hegemônica em uma sociedade que preserva o ideal da limpeza estética, dificulta outras leituras do fenômeno da pixação. O excessivo amor pela lisura dos muros, a sacralização que faz da pixação demônio, revela enquanto esconde uma estética da fachada.

Toda estética inclui uma ética, assim a da fachada. Fachada é aquilo que mostra uma habitação por fora; pode tanto dar seqüência ao que há na interioridade, quanto ser dela desconexo. É da fachada que se baste por si mesma à medida que lhe é próprio ser suficiente aos olhos. A estética da fachada que defende o muro branco é a mesma que sustenta a plastificação dos rostos, a ostentação dos luxos no “aparecimento geral” da cultura espetacular, no histérico “dar-se a ver” que produz efeitos catastróficos em uma sociedade inconsciente de seus próprios processos.

Nesta São Paulo do começo de século 21 não é permitido cobrir “fachadas” com propagandas e outdoors. A proibição, ainda que democrática, produz um novo efeito de observação da cidade. Tornou-se visível o que se ocultava por trás do “embelezamento” capcioso sobre um outro cenário. A obrigação do padrão do liso é efeito da democracia que, no entanto, flerta com sua manutenção autoritária. É o desejo governamental da neutralidade e da objetividade no espaço público o que deve servir de cenário à vida na cidade. Governar é no Brasil a habilidade de comandar a fachada que na administração paulistana sai do símbolo para entrar na prática mais imediata do cotidiano. A vontade de fachada é, afinal, uma vontade de poder compartilhada por toda a cultura em todos os seus níveis.

A pixação é o contrário do outdoor, ainda que compartilhe com ele a proibição de aparecer no cenário urbano comprometido pelo governo com uma neutralidade que serve à mesma ocultação de carroceiros e outros excluídos. Ampara-se no olhar burguês cego para mendigos e crianças abandonadas nas ruas. Enquanto o outdoor pode se sustentar no pagamento das taxas que o permitem, a pixação não alcança nenhuma autorização, ela está fora das relações de produção. O que o outdoor escondia era muitas vezes a própria pixação, enquanto a pixação não esconde nada, ela é o que se mostra quando ninguém quer ver sendo meramente compreendida como “ofensa” ao muro branco. Anti-capitalista, a pixação não se insere em nenhuma lógica produtiva, ela é irrupção de algo que não pode ser dito. Sem pagar taxas, o pichador exercerá uma espécie de lógica da denúncia. Mas quem poderá perceber?

Não é possível negar o direito ao muro branco ou liso em uma sociedade democrática, na qual está sempre em jogo a convivência das diferenças. O direito ao muro branco é efeito da democracia. Mas a questão é bem mais séria do que a sustentação de uma aparência ou de um padrão do gosto. A pixação é também um efeito da democracia, mas apenas no momento à ela inerente em que ela nega a si mesma. Ela é efeito do mutismo nascido no cerne da democracia e por ela negado ao fingir a inexistência de combates intestinos e velados. A pixação é, neste sentido, a assinatura compulsiva de um direito à cidade. Um abaixo-assinado, às vezes surdo, às vezes cego, pleno de erros, analfabeto, precário em sua retórica, mas que, em sua forma e conteúdo, sinaliza um retrato em negativo da verdade quanto ao espaço – e nosso modo de percebê-lo – nas sociedades urbanas. Espaço atravessado, estraçalhado, pela exclusão social.

A pixação é uma gramática que requer a compreensão da brancura dos muros. O gesto de escrever só pode ser compreendido tendo em vista que todo signo, letra, palavra, investe-se contra ou a favor de um branco pressuposto no papel. O grau zero da literatura é esta luta com o branco. A escrita é combate contra o branco, negação do alvor fanático, como o pensamento é sempre oposição e negação do que se dispõe como evidente, convencional, pressuposto. Por outro lado, a escrita é abertura e dissecação do branco, lapidação do branco pelo esforço da pedra, mas nunca sua confirmação, nunca é a ação da borracha, do apagamento, da camada de tinta que alisará o passado, o que desagrada ver. Sua lógica é a do inconformismo infinito. Imagine-se uma sociedade em que o papel não fosse feito para a escrita, em que as superfícies brancas de celulose não sustentassem idéias, comunicação, expressão, afetos, anseios, angústias. Imagine-se uma sociedade em branco e começar-se-á a entender porque a pixação nas grandes cidades é bem mais do que um ato vândalo que, para além de ser uma forma de violência, define a cidade como um grande livro escrito em linguagem cifrada. O pichador é o mais ousado escritor de todos os tempos. Diante do pichador todo escritor é ingênuo. Diante da pixação a literatura é lixo.

A Cidade como Mídia

Uma leitura da pixação que veja nela a mera ofensa ao branco perderá de vista a negação filosófica do branco que é exercida pela pixação. A pixação eleva o muro a campo de experiência, faz dele algo mais do que parede separadora de territórios. Mais que propriedade invadida é a própria questão da propriedade quanto ao que se vê que é posta em xeque.

A pixação é o grito impresso nos muros. Ação afetivo-reflexiva em uma sociedade violenta que não aceita a violência que advém de um estado de violência. Ela é a marca anti-espetacular, o furo no padrão da falsidade estética que estrutura a cidade. É a irrupção do insuportável à leitura e que exige leitura para a qual a tão assustada quanto autoritária sociedade civil é analfabeta. E politicamente analfabeta.

Em vez do gesto auto-contente, o que a pixação revela é a irrupção de uma lírica anormal. A Internet com seus blogs (horrendos, bonitos, mais bem feitos ou mais mau-humorados) é o seu análogo perfeito. A pixação revela o desejo da publicação que manifesta a cidade como uma grande mídia em que a edição se dá como transgressão e reedição onde o pichador é o único a buscar, para além das meras possibilidades de informar ou comunicar, a verdade atual da poesia, aquela que revela a destruição da beleza, o espasmo, a irregularidade, a afronta, que não foi promovida pela pixação, mas que ela dá a ver. Em sua existência convulsa a pixação é a única lírica que nos resta.