sábado, 16 de março de 2013

Convite ao leitor



Sete chaves
Vamos tomar chá das cinco e eu te conto minha grande história
passional, que guardei a sete chaves, e meu coração bate
incompassado entre gaufrettes. Conta mais essa história, me
aconselhas como um marechal-do-ar fazendo alegoria. Estou
tocada pelo fogo. Mais um roman à clé?
Eu nem respondo. Não sou dama nem mulher moderna.
Nem te conheço.
Então: É daqui que eu tiro versos, desta festa – com arbítrio
silencioso e origem que não confesso – como quem apaga
seus pecados de seda, seus três monumentos pátrios, e passa o
ponto e as luvas.
(CÉSAR, 2002, p.40)





quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

É preciso ser de vez em quando infeliz


Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar [...]
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se,
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja.

Alberto Caeiro / Fernando Pessoa, em O Guardador de rebanhos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013


2013 pleno de disposição para a ALEGRIA e para o AMOR.
Saúde, Paz e Sorte, porque ninguém é de ferro, ão é mesmo?!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

As crianças e o mundo das coisas



Dia a dia nega-se às crianças o
direito de ser crianças. Os fatos,
que zombam desse direito, ostentam
seus ensinamentos na vida cotidiana. O
mundo trata os meninos ricos como se
fossem dinheiro, para que se acostumem
a atuar como o dinheiro atua. O mundo
trata os meninos pobres como se
fossem lixo, para que se transformem em
lixo. E os do meio, os que não são ricos
nem pobres, conserva-os atados à mesa
do televisor, para que aceitem desde
 cedo como destino, a vida prisioneira.
Muita magia e muita sorte têm as crianças
que conseguem ser crianças.

Eduardo Galeano.
(A escola do mundo às avessas)

Mesmo diante das contradições e de todos os desafios a serem enfrentados pela sociedade, todas as crianças deveriam ter seus direitos, desejos, possibilidades e sonhos respeitados.
Porque mesmo diante de todas as mazelas e das mais duras realidades, as crianças formam seu próprio mundo das coisas... e mesmo nas condições mais adversas elas não deixam de ser criança.

... A menina da foto sou eu, quando ainda tinha um mundo inteiro de disponibilidades para viver.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

As lavadeiras de Burle Marx







Concluído, após seis meses de restauro, painel de azulejos criado por um dos mais importantes paisagistas brasileiros, Roberto Burle Marx (1909-1994).
Burle Marx, arquiteto de formação, também era artista plástico e habilidosíssimo nos azulejos. O painel foi criado em 1949, com 4 metros de altura e se estende por um muro de 25 metros.
Para a recuperação da obra foi preciso primeiramente lavar todos os azulejos com detergente de pH neutro, quando descobriram que havia sido aplicado, algum dia, uma capa de verniz. Para removê-la foram utilizados bisturis cirúrgicos.
O Painel de azulejos é parte do projeto paisagístico para a então residência do embaixador Walther Moreira Salles, hoje sede do Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro.  A casa tem projeto arquitetônico de Olavo Redig de Campos.
O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro fica na Rua Marquês de São Vicente 476, na Gávea. A entrada é gratuita. A ida ao Instituto vale muito a pena!



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Recuperar preservar prevenir

Em 2010 uma chuva torrencial degradou uma encosta na Gávea dentro da PUC-Rio, para evitar deslizamentos e combater a erosão, em tempo de ocorrer algum desastre, o Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (Nima) contratou uma empresa de Geotecnia Ambiental para executar ações emergenciais envolvendo a recuperação ambiental.

A equipe composta de alunos e profissionais de Engenharia Civil e Ambiental fez estudos de estabilidade para ver a situação da encosta, através de softwares, e atuaram no manejo florestal, retirando árvores mortas que traziam instabilidade ao local, sendo substituídas por espécies nativas da mata atlântica. 

Dos bambus aproveitados do terreno foram feitas paliçadas, que são estruturas que reduzem a ação erosiva da chuva na encosta. 




A equipe do Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas da PUC-Rio fez a limpeza e a realocação das áreas críticas, eliminou o entulho, e abriu covas para recuperar a mata nativa, utilizando adubo e controlando as pragas para a vegetação crescer.



Muito importante no projeto foi a  manutenção da canaleta de drenagem no topo da encosta, perto do Túnel Acústico que estava entupida, danificada e com alguns trechos quebrados. Foi preciso fazer uma obra de recuperação, pois a estrutura da drenagem é a parte mais importante dentro da estabilidade de uma encosta. 

O trabalho de recuperação emergencial durou cinco meses - começou no final de dezembro de 2010 e foi até abril de 2011. Constantemente é feita manutenção para a vegetação continuar a crescer prevenindo contra futuros riscos.


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Land Art




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Roma, 1969. Robert Smithson

Uma pedreira de cascalho e terra, em Roma. Smithson lança uma carga de asfalto do alto do penhasco já marcado pelo tempo e interfere com sua pintura de asfalto na natureza.
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Assim como Pollock, que estendeu seu gesto além da tela no cavalete para a tela estendida no chão, Robert Smithson (1938-1973) se distancia da tela levando suas obras de enormes dimensões para remotas áreas naturais.
Suas obras/pinturas acabam por transcender a monumentalidade trazendo uma leitura da grandeza da natureza e consequentemente para os dos danos que o homem tem causado.
Robert foi um dos membros do movimento artístico Land Art. E viveu apenas 35 anos.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O nome dele é Amor


Se eu tivesse um gato, daria a ele o nome de Amor.
Ele seria de qq cor, se é que essa cor existe... poderia ser branco, negro ou azul celofane.
Mas, seu nome seria Amor.
Cuidaríamos um do outro com talento e sabedoria. Sabedoria que eu aprenderia com Amor.
E ele aprenderia comigo a gostar de música alta, de incenso e de cuidar do 'lar'. Mas, esse 'lar' não teria um ar funcional, pois o Amor não gostaria assim.
A casa, para Amor, viraria um palácio.

A vida, para Amor, uma coleção de sentimentos.
Virava, mexia e Amor já viria me fazendo uma festa. E ele saberia deixar tudo ainda mais único, mais encantador.
Se eu tivesse um gato, Amor seria seu nome.
E assim ficaria certo também o valor que o sentimento tem.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Clarice Lispector


Lição de Filho, Clarice Lispector. Jornal do Brasil, 1968.

Recebi uma lição de um de meus filhos, antes dele fazer 14 anos. Haviam me telefonado avisando que uma moça que eu conheci ia tocar na televisão, transmitido pelo Ministério da Educação.Liguei a televisão mas em grande dúvida. Eu conhecera essa moça pessoalmente e ela era excessivamente suave, com voz de criança, e de um feminino-infantil. E eu me perguntava: terá ela força no piano? Eu a conhecera num momento muito importante: quando ela ia escolher a "camisola do dia" para o casamento. As perguntas que me fazia eram de uma franqueza ingênua que me surpreendia. Tocaria ela piano? Começou. E, Deus, ela possuía a força. Seu rosto era um outro, irreconhecível. Nos momentos de violência apertava violentamente os lábios. Nos instantes de doçura entreabria a boca, dando-se inteira. E suava, da testa escorria para o rosto o suor. De surpresa de descobrir uma alma insuspeita, fiquei com os olhos cheios de água, na verdade eu chorava. Percebi que meu filho, quase uma criança, notara, expliquei: estou emocionada, vou tomar um calmante.
E ele: -Você não sabe diferenciar emoção de nervosismo? Você está tendo uma emoção. Entendi, aceitei, e disse-lhe: -Não vou tomar nenhum calmante.
E vivi o que era para ser servivido.

Seria o blog ilusão?


Conheci poeta e professor Ítalo Moriconi pessoalmente quando fiz um curso sobre a poeta Ana Cristina César no Instituto Moreira Salles, RJ.
Ítalo dava uma parte do curso.

Eis que achei um blog assinado por ele disponível em:

http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id_usuario=50#texto

Segue um trecho do texto que retirei de lá, do blog da procrastinação.

Meu blog é meu diário, meu blog é minha carta. Não sei se no meu blog devo usar meu nome autoral ou meu nick especial. Meu, meu, meu... O que ficou pra mim na partilha dos espaços? Tenho inveja do Sérgio Sant’Anna, que senta na cadeira, em frente ao computador, e digita contos, digita obras primas. A fonte do Sérgio jorra permanente. Todos à minha volta estão sentados, estão produzindo, e eu aqui. Caminho pelo apartamento, com passadas vigorosas. Quero malhar, mas chove lá fora. O Silviano Santiago está fazendo a revisão final de seu novo e - creio - importante livro, que ele vem escrevendo há meses e meses, estudo comparativo entre as obras fundadoras de Octavio Paz e de outro Sérgio, o Buarque de Hollanda. Meu blog é confidência. Confidência, inconfidência. Minha doce amiga, obstinada das letras, Márcia Denser, está para lançar Caim, uma novela ou, pelas dimensões, noveleta de primeira linha, texto intenso. Lançando mão de uma estrutura dramática (dialógica), La Denser faz a escavação fria de uma saga familiar e seus demônios, surfando entre ego e alter ego, entre nome e nick. Ela já descobriu esse jogo faz tempo, desde Diana Marini. E agora encontra o encanto do enigma, da cifra como motor do poético.

Meu blog é quero-quero. Quero malhar, quero nadar, puxar ferro. Mas chove lá fora. Quero surfar. Pela linguagem, pelo mar. Sou Caeiro tropical, pelas veredas do corpo-sertão, nem sempre tolero ler, jogo livros ao mar. Não tolero ler, foi o que me disse outra amiga, pedindo-me anonimato, pois é professora de letras e mãe de crianças tidas como neuróticas, pois se divertem lendo – gostam mais de livros que de games. Dizia-me ela, sem nome porque sem nick: só tolero o tempo-espaço do jornal, dos sites, da poesia moderna, tudo assim, picadinho. Nietzsche já tinha observado: o leitor moderno é desse jeito, dispersivo, vai de déu em déu, pica-flor, de trecho em trecho, de frase em frase. (Poetar, frasear.)

Ler também pode ser um recurso de procrastinação. O melhor do escrever é procrastinar? O melhor do sexo é a preliminar? Furor do amor, furor de ler [...]. Será o prazer de procrastinar karma inerente ao professor-escritor?

Escrever é tecer? Derridá? Para mim, lápis é agulha, frase é linha, a tela é o prêt-à-porter, a pronta entrega, delivery, délivrance, escrever é parir? Ato doloroso. A procrastinação é a dor do parto, é curtir dentro da dor. Mais penoso que escrever um livro aos 50, sofrer nesse paraíso, é escrever uma tese de doutorado aos 35. Foi quando descobri o ato de ler como recurso de procrastinação, forma de adiar pela simulação a intensidade exigente do ato de escrever. Tempo de máxima concentração, furor solitário, briga titânica com a dispersão. Torre de marfim, bunker defeso, underdog. O importante é começar. A partir daí, jorra permanente. Escrever suga o tempo. O jorro é começo e fim do trabalho no tempo, da negociação com o tempo.

Meu blog é minha cabeça fragmentada, é meu jornal. Meu blog não é meu orkut, que carrega meu nome, criado por terceiros. No blog tenho nick, sussurro segredo no teu ouvido, alto e bom som. Megafone do mais íntimo ser, super-exposição. O eu também é recurso de cultura. Vaidade é capital. Vc tem todo o direito de ser vaidos@. Vaidade, orgulho, auto-estima. Pode? Quem pode? Auto-estima, auto-depreciação. No blog, sou inconfidente, tento a poesia, a poesia dói tanto da verdade que se traveste toda de mentira, ela toda estilização, toda fashion-máscara, nick-e-l’odeon, neon, puro brilho. Não sou do brilho, sou da paz e da inspiração. A paz do deserto. A inspiração perdida no deserto infinito. Areia e erosão. Procrastinação, travessia de um deserto, meu deserto sem flauta de Anfion, sem mais nada, mar de ensimesmar, musical e televisual, fantasmal. Passeio em arquivos, procuro inspirar-me em jornais antigos para começar meu novo livro. Cara, não inventa, procrastinação é preguiça, e a melhor palavra para designá-la é enrolação. Então você vai querer me convencer que enrolação é preguiça? Enrolação é negociação entre o nome e o nick, é a demora na produção da máscara adequada, do tom adequado. 

Assumir a preguiça. A vagabundagem tensa do escrever poético. Enlangueço sobre o divã, ao som de Mahler. Dei de presente uns lieder de Mahler para a poeta Lu Menezes pelo aniversário dela. Eu quis muito dar um presente assim para a Lu, porque ela é dessas pessoas que chega até a ponta de lâmina de uma estesia meticulosa, ela sabe. O lied alemão pra mim é o máximo que se pode querer em matéria de lírica (poesia+música). Pena que não sei fazer uma análise técnica musical de cada lied, como faria facilmente o nosso (meu e de Lu) velho amigo, parceiro, mano, Paulo Henriques Britto, que sabe ler pauta e sabe tudo de música, do puro ritmo do rock à música-divina-música do clássico. Eles vão e eles vêm. E de novo. Repetição que nunca se repete igual, até chegar ao estupor do irrepetível – aquilo que permanece constante, evocando o rumor rancoroso do sono mineral. Areia, erodir. Os deuses da concentração me abandonaram neste deserto sem formas, com seus fantasmas cambaios, mutilados. Intuitivamente pressinto que no lied cada sílaba poética corresponde a uma nota ou tom musical e posso dizer também que a lei da concisão chega no lied a seu máximo de perfeição. Perfeição, teu nome é lied. Teu nome é Mahler. Teu nome é Schubert. Teu nome é Titãs.

Meu blog é meu rap, é meu verso, meu versar. Meu cronicar, meu mal crônico. Falar a esmo, escrever por espasmos, derivar, derivar – a lei do léu, a lei do ler por prazer, o ler como ato gratuito. O procrastinar como fundamento do escrever, fundamento do ser. Sou beija-flor pica-flor de cazuza boneco, à procura de açúcar, quero-quero açúcar, mais um café. Mais um café, mais um back, mais um black – hole: explodiu de luz. A chuva parou. O sol esquentou. Passa de meio-dia. Ainda não escrevi uma linha, me liga mais tarde. Meu blog é o arquivo enlouquecido, é o livro que não nasceu, é o brincar a sério como preparação para o ato. Vamos cometer o ato da escrita, juntos, brincando com nome, com nick, com autoria, com anonimato. Como no novo tipo de discurso interativo que nasce na fronteira entre a literatura e a comunicação. Quem tem nome tem poder. Quem tem nick tem poder. Mas o anonimato também é uma força de escrita. As cartas para ninguém. O diário de mim para comigo. Os contos que enviam para o Paulo Coelho. O anonimato também é força movendo o texto, que navega, solto, à espera de engates, pelo multi-espaço simultâneo das estradas virtuais. Meu corpo com nome e nick é tocável e intocável, oferenda inatingível, é mascarado, sertão palmilhado. Sou traça e traço, rastro de Caeiro, me reacende o toque do dedo alheio, e assim me alheio. Alheias areias da luz que se faz. Movimento digital da criação. Um último café. Largar a enrolação. Fechar o livro. Deixar descansar o lápis. Ativar o on que é off. A tela ilumina o fim de tarde contra a parede. Você escreve, eu te leio, eu escrevo, nós.

Italo Moriconi – escritor e professor. Autor de A Provocação Pós-Moderna (ensaio acadêmico, 1994), Ana Cristina César – O Sangue de uma Poeta (perfil biográfico, 1996) e Como e Por Que Ler A Poesia Brasileira do Século XX (ed. Objetiva, 2002). Organizou as antologias Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século (ed. Objetiva, 2000) e Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século (ed. Objetiva, 2001). Editou Cartas de Caio Fernando Abreu (ed. Aeroplano, 2002). Publicou 3 plaquetes de poesia: Léu (1988), Quase Sertão (1996) e História do Peixe (2001). Recentemente teve trabalhos publicados nas revistas Grumo

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Nova Friburgo - um dia de janeiro



Há bastante tempo que não ando pelas bandas da blogosfera... sinto falta dos amigos que fiz por aqui, de suas palavras e textos, histórias e fotografias. Mas, como havia dito em posts anteriores precisei me afastar um pouco para dar conta do mestrado ao qual me dedico, e também de outras coisas da vida, que demandam uma atenção. No entanto, deixei aqui um espaço reservado para voltar quando a saudade batesse, um lugar para trocar palavras, emoções e até, quem sabe, algumas alegrias...
Hoje estou de volta trazendo uma história que ficou conhecida nas  manchetes anunciadas em Tvs, jornais e noticiários: 12 de janeiro de 2011 ocorreu uma chuva como nunca houve na história de Nova Friburgo. Choveu em uma noite, e em toda a madrugada, a quantidade de água para chover um mês. Disseram que ocorreu um fenômeno da natureza e ele transformou - com deslizamentos de terra, árvores, pedras, rochas - a geografia da bela cidade da serra do mar. 
E nesse dia os cursos dos rios fizeram novos caminhos, abriram espaços inimaginados em meio a casas, pessoas, ruas, estradas e montanhas.
A face do que pôde ser visto foi absurdamente trágica. Muitas foram as  perdas e muitas as vítimas fatais, inclusive amigos muito queridos e uma amiga muito especial - Erotides Guerra - pessoa queridíssima, de enorme alegria e vontade de viver. A casa dela foi minha primeira morada quando cheguei em Nova Friburgo, em janeiro de 1993.
Para nós que aqui ficamos e, que de alguma maneira sobrevivemos, resta  a tarefa de pedir paz e desejar plenamente que o SOL, com sua magnificência, arrebate as almas de todos que se foram em seus reencontros com o divino.
(Na foto Tide e Carolina, sua neta, que partiu em 12 de janeiro com ela)

sábado, 9 de outubro de 2010

Vamos passear de guarda-chuva!



Por Pedro Luís & A Parede / Adriana calcanhoto / E claro, Machado de Assis.
Guarda-chuva / Sam Spencer

domingo, 12 de setembro de 2010

SUSTENTABILIDADE




A gente tem ouvido tanto falar em Economia Criativa, em Sustentabilidade e parece algo novo e completamente distante. É como se tivéssemos que nos adequar a um novo mundo, e de fato o é.
No entanto, algumas pessoas já são sustentáveis há séculos. São pessoas que sabem o valor do que seja intangível nas suas relações, nas suas escolhas e no modo de se relacionarem com o mundo. Essas pessoas já estão plantando há tempos o futuro com suas ações, pois já sabiam ou pressentiam o que poderia se materializar ao longo dos tempos, atingindo patamares desejáveis. Com tempos menos sombrios, mais afetuosos, mais leais e menos estressantes.
As fotos acima são um exemplo disso:
É a foto de um cachecol feito a partir de uma blusa de lã que havia sido descartada. A blusa foi desmanchada e a partir dela foi feito o novo cachecol!
Uma idéia simples, mas que contém nela os elementos da sustentabilidade.

sábado, 21 de agosto de 2010

Copan




I ♥ COPAN


O Edifício acima é o Copan edificação projetada por Oscar Niemayer. Com certeza o Copan é uma das obras de arte mais famosas de Sampa. O prédio todo de concreto conta com curvas delicadas. 

Inaugurado em 1962, o prédio é o maior edifício residencial do Brasil, com 120 mil metros quadrados de área construída contando com 1160 apartamentos que variam de 26 a 350 metros quadrados distribuídos em 6 blocos, 221 garagens nos subsolos e Vinte elevadores. Há quem diga que ele é o edifício residencial mais populoso do mundo, por conta disso estaria no Guiness Book. A população flutuante do edifício é imensa, contendo em torno de 6500 pessoas, diariamente. O Copan tem até CEP exclusivo dado pelos Correios.

No térreo do Edifício cerca de 70 lojas funcionam dentre elas: uma igreja, um alfaiate, um fast food chinês, quatro restaurantes, uma lavanderia, dois cafés, uma videolocadora, cinco telefones públicos, uma doceria, uma agência de turismo, uma papelaria e um despachante.

Oscar Niemeyer não "assina" sua obra pelo fato do projeto original ter sido duramente modificado. No projeto original, encomendado pela Companhia Pan-Americana de Hotéis e Turismo, estavam contidos ainda escritórios e um hotel (atual prédio do bradesco - adaptado). A torre de escritórios não chegou a ser construída. O hotel e o teatro nunca saíram do papel e os apartamentos dos blocos E e F, que contariam com 3 dormitórios, foram redivididos em quitenetes e apartamentos de 1 quarto. 

Niemeyer idealizou o Copan como um lugar onde pessoas de diferentes organizações familiares, classes sociais e culturais pudessem conviver em harmonia.

De fato, I ♥ COPAN

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo



Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser.

Do poema Passagem das Horas, Álvaro de Campos, Fernando Pessoa. Extraído do Disco Drama 3°Ato, 1973, Maria Bethânia

sábado, 31 de julho de 2010

Privacidade & Visibilidade

google1
Em breve vamos poder ver o interior de um restaurante através de um novo serviço do GOOGLE. Os testes estão sendo feitos em 30 cidades nos EUA, Austrália e Japão.

Disponível na página Google Places, o serviço foi oficialmente lançado há alguns dias atrás e oferece uma visão panorâmica dos interiores dos espaços comerciais. Neste primeiro momento, os negócios nas zonas de teste podem mesmo solicitar uma visita do Google aos seus estabelecimentos.

Não satisfeito por tornar as ruas das cidades de todo o mundo acessíveis através do Street View, o Google agora quer nos levar para dentro das lojas e restaurantes. Só vai ficar faltando entrar dentro dos cômodos das nossas casas. 

domingo, 9 de maio de 2010



Aos meus amigos blogueiros, e aos outros amigos que vez por outra entram aqui:
Comunico com carinho e respeito que estou dando uma pausa no blog, faço isso com uma ‘dó danada’, mas é que não tenho tido tempo de vir aqui, e a postagem do jeito que me é possível no momento, não me satisfaz.

Prezo muito o contato com os amigos que fiz aqui e espero ter tempo de visitar, sempre que puder, todos vocês. Mas é que chega um momento em que a gente precisa definir metas e se organizar. Comecei o mestrado na PUC-Rio e preciso me dedicar plenamente. A tarefa exige!!
Deixo, por enquanto esta foto minha, menina ainda, feita num tempo em que a vida era um descobrir horizontes diferentes. Acho que estou neste momento novamente.


Um abraço afetuoso,
LILI

domingo, 25 de abril de 2010

Em tempos de pichação



Pensamento PiXação
por Marcia Tiburi

Para questionar a estética da fachada

A revolta geral da sociedade contemporânea contra a pichação se ampara na hipótese de seu caráter violento. Usarei a expressão pixação, com X, para tentar tocar no X da questão. A estética da brancura ou do liso dos muros, hegemônica em uma sociedade que preserva o ideal da limpeza estética, dificulta outras leituras do fenômeno da pixação. O excessivo amor pela lisura dos muros, a sacralização que faz da pixação demônio, revela enquanto esconde uma estética da fachada.

Toda estética inclui uma ética, assim a da fachada. Fachada é aquilo que mostra uma habitação por fora; pode tanto dar seqüência ao que há na interioridade, quanto ser dela desconexo. É da fachada que se baste por si mesma à medida que lhe é próprio ser suficiente aos olhos. A estética da fachada que defende o muro branco é a mesma que sustenta a plastificação dos rostos, a ostentação dos luxos no “aparecimento geral” da cultura espetacular, no histérico “dar-se a ver” que produz efeitos catastróficos em uma sociedade inconsciente de seus próprios processos.

Nesta São Paulo do começo de século 21 não é permitido cobrir “fachadas” com propagandas e outdoors. A proibição, ainda que democrática, produz um novo efeito de observação da cidade. Tornou-se visível o que se ocultava por trás do “embelezamento” capcioso sobre um outro cenário. A obrigação do padrão do liso é efeito da democracia que, no entanto, flerta com sua manutenção autoritária. É o desejo governamental da neutralidade e da objetividade no espaço público o que deve servir de cenário à vida na cidade. Governar é no Brasil a habilidade de comandar a fachada que na administração paulistana sai do símbolo para entrar na prática mais imediata do cotidiano. A vontade de fachada é, afinal, uma vontade de poder compartilhada por toda a cultura em todos os seus níveis.

A pixação é o contrário do outdoor, ainda que compartilhe com ele a proibição de aparecer no cenário urbano comprometido pelo governo com uma neutralidade que serve à mesma ocultação de carroceiros e outros excluídos. Ampara-se no olhar burguês cego para mendigos e crianças abandonadas nas ruas. Enquanto o outdoor pode se sustentar no pagamento das taxas que o permitem, a pixação não alcança nenhuma autorização, ela está fora das relações de produção. O que o outdoor escondia era muitas vezes a própria pixação, enquanto a pixação não esconde nada, ela é o que se mostra quando ninguém quer ver sendo meramente compreendida como “ofensa” ao muro branco. Anti-capitalista, a pixação não se insere em nenhuma lógica produtiva, ela é irrupção de algo que não pode ser dito. Sem pagar taxas, o pichador exercerá uma espécie de lógica da denúncia. Mas quem poderá perceber?

Não é possível negar o direito ao muro branco ou liso em uma sociedade democrática, na qual está sempre em jogo a convivência das diferenças. O direito ao muro branco é efeito da democracia. Mas a questão é bem mais séria do que a sustentação de uma aparência ou de um padrão do gosto. A pixação é também um efeito da democracia, mas apenas no momento à ela inerente em que ela nega a si mesma. Ela é efeito do mutismo nascido no cerne da democracia e por ela negado ao fingir a inexistência de combates intestinos e velados. A pixação é, neste sentido, a assinatura compulsiva de um direito à cidade. Um abaixo-assinado, às vezes surdo, às vezes cego, pleno de erros, analfabeto, precário em sua retórica, mas que, em sua forma e conteúdo, sinaliza um retrato em negativo da verdade quanto ao espaço – e nosso modo de percebê-lo – nas sociedades urbanas. Espaço atravessado, estraçalhado, pela exclusão social.

A pixação é uma gramática que requer a compreensão da brancura dos muros. O gesto de escrever só pode ser compreendido tendo em vista que todo signo, letra, palavra, investe-se contra ou a favor de um branco pressuposto no papel. O grau zero da literatura é esta luta com o branco. A escrita é combate contra o branco, negação do alvor fanático, como o pensamento é sempre oposição e negação do que se dispõe como evidente, convencional, pressuposto. Por outro lado, a escrita é abertura e dissecação do branco, lapidação do branco pelo esforço da pedra, mas nunca sua confirmação, nunca é a ação da borracha, do apagamento, da camada de tinta que alisará o passado, o que desagrada ver. Sua lógica é a do inconformismo infinito. Imagine-se uma sociedade em que o papel não fosse feito para a escrita, em que as superfícies brancas de celulose não sustentassem idéias, comunicação, expressão, afetos, anseios, angústias. Imagine-se uma sociedade em branco e começar-se-á a entender porque a pixação nas grandes cidades é bem mais do que um ato vândalo que, para além de ser uma forma de violência, define a cidade como um grande livro escrito em linguagem cifrada. O pichador é o mais ousado escritor de todos os tempos. Diante do pichador todo escritor é ingênuo. Diante da pixação a literatura é lixo.

A Cidade como Mídia

Uma leitura da pixação que veja nela a mera ofensa ao branco perderá de vista a negação filosófica do branco que é exercida pela pixação. A pixação eleva o muro a campo de experiência, faz dele algo mais do que parede separadora de territórios. Mais que propriedade invadida é a própria questão da propriedade quanto ao que se vê que é posta em xeque.

A pixação é o grito impresso nos muros. Ação afetivo-reflexiva em uma sociedade violenta que não aceita a violência que advém de um estado de violência. Ela é a marca anti-espetacular, o furo no padrão da falsidade estética que estrutura a cidade. É a irrupção do insuportável à leitura e que exige leitura para a qual a tão assustada quanto autoritária sociedade civil é analfabeta. E politicamente analfabeta.

Em vez do gesto auto-contente, o que a pixação revela é a irrupção de uma lírica anormal. A Internet com seus blogs (horrendos, bonitos, mais bem feitos ou mais mau-humorados) é o seu análogo perfeito. A pixação revela o desejo da publicação que manifesta a cidade como uma grande mídia em que a edição se dá como transgressão e reedição onde o pichador é o único a buscar, para além das meras possibilidades de informar ou comunicar, a verdade atual da poesia, aquela que revela a destruição da beleza, o espasmo, a irregularidade, a afronta, que não foi promovida pela pixação, mas que ela dá a ver. Em sua existência convulsa a pixação é a única lírica que nos resta.

sábado, 17 de abril de 2010

A ordem do dia aqui pelas bandas cariocas é falar mal das pessoas que moram nos morros, favelas e comunidades. Tudo por conta dos desabamentos ocorridos com a chuva que parou o Rio de Janeiro e Niterói. É cada coisa que tenho ouvido...
"Quem manda fazer casa no morro"; "Agora eles vão ter aluguel social. Depois vão ganhar uma casa"; "Eu pago imposto e nunca ganhei casa na vida"; "Quem manda vir para cá, deviam ficar lá no Nordeste".
Enfim, me desculpem pela pequenez da palavra, estou apenas reproduzindo algumas das barbaridades que tenho escutado.
A última da vez foi do Arnaldo Jabor, cineasta que se faz de porta voz da Rede Globo (a voz do dono, ou o dono da voz) que anda barbarizado, pois a classe C e D está andando de avião e os aeroportos estão insuportáveis.
Claro que isso é uma resposta à candidata Dilma Rousseff, que declarou que não vai privatizar a Infraero. Até porque se a solução fosse privatização não teríamos mais nenhum problema com o metro, com as rodovias, a supervia e nem com as linhas de ônibus no Rio controladas por empresas e que 'funcionam divinamente'.
Mas, o que talvez mais incomode é o fato dos brasileiros terem conseguido mudar de vida graças à estabilidade econômica do atual governo. Para Jabor e, toda enorme corja, o Governo Lula não passa de uma continuidade do Governo FHC. Ora ora, por que então no fim dos anos 90 a economia, apesar do Plano real, foi pro buraco?!
O que eles tentam inutilmente é fechar os olhos da população para os grandes investimentos e para os esforços em acelerar o crescimento do Brasil e levar este País a ser a quinta maior economia do mundo.

domingo, 21 de março de 2010

Historinha de uma noite

Esta foto fiz de mim mesma me maquiando para sair com amigos ontem à noite. (mil mãos: 1 segurando a máquina e outra pintando os olhos)

A noite nem foi tão maravilhosa... Os amigos, na verdade nem eram tão amigos, e logo no início percebi que havíamos saido com interesses diferentes: Um teria saído para comer - não era o meu caso - outro tinha saído para 'pegar' ou 'se arranjar' na noite - tb não era o meu caso.
Enfim, acabou que passei a noite tomando drinques e comendo... Hoje acordei com a cabeça rodaaaaando louca pelo teto do quarto. Com uma ressaca chatíssima e uma sensação de que não valeu a pena.
Bom mesmo é sair com os amigos, os chegados, porque podemos discutir, rir, falar mal uns dos outros, nos divertir plenamente e no caso da ressaca do dia seguinte, ter a sensação de que ao menos valeu muito a pena.

♥ E Claro todo mundo voltando de táxi para casa, como fizemos ontem #LEI SECA ♥