Antes de conhecer a Índia eu tinha inúmeras “idéias românticas” e achava que poderia descobrir sozinha a Índia. Sinceramente, as chances de tudo dar errado são imensas. É muito importante que essa viagem seja minimamente planejada, pois o país é complicado para ocidentais onde tudo funciona com uma lógica muito própria difícil de desvendar.Tudo é muito diferente, da burocracia à comida. Do caos das buzinas, trânsito, aos animais nas ruas. Dirigir para nós turistas na Índia é algo IMPOSSÍVEL! Pegue táxi ou alugue um motorista indiano, só eles são capazes de se virar na loucura que são as cidades e estradas por lá. Eles usam a buzina o tempo inteiro; não respeitam as mãos, além de saberem lidar com as multidões de pessoas, bicicletas, bondes, rickshaws, e os animais que lotam as pistas.
É importante montar o roteiro ainda aqui, no Brasil, usando os serviços de um agente de viagens para marcar hotéis, vôos internos, motorista, e assim poder aproveitar ao máximo a viagem e contornar possíveis confusões. Hotéis com menos de 5 estrelas são os recomendados. Eu fiquei hospedada em casa de brasileiro, mas fiquei em um bom hotel em Agra que não era 5 estrelas, mas tinha banheiro limpo nos moldes ocidentais, o que se tratando da Índia já é um luxo. Mesmo em restaurantes finos e Casas de chá os banheiros não são limpos. Melhor período para viajar para a Índia é no inverno, ou seja, de outubro até março. Eu fui no fim de dezembro. A temperatura é ótima...mais para friozinho e também não chove nesse período.
O povo indiano é extremamente amável, o problema é que boa parte da população não fala inglês, que é a língua do colonizador, e quando fala o inglês é com sotaque indiano, o que dificulta a compreensão. Em Calcutá (Kolkata) eles falam bengole, fui a lugares que eles falavam hindi. Em Nova Delhi eles falam um inglês mais compreensível.Na Índia vc vai ver muita muita muita pobreza, mas não vai ver criminalidade, o povo pode ser miserável, mas em nenhum momento me senti coagida ou com medo de um assalto ou coisa parecida. Inferno mesmo são os taxistas, eles sim são fogo na roupa, querem te roubar o tempo todo, salvo raras, raríssimas exceções. A bandeirada custa 10 rúpias, em Nova Delhi 8. Uma corrida de 15 minutos custa cerca de 20 rúpias (R$1), é muito barato andar de táxi por lá. Mas os motoristas gostam de meter a mão no bolso do turista, principalmente à noite eles não respeitam a bandeirada e cobram o que querem.
A alma indiana com certeza está nos templos, no politeísmo, na manutenção de uma cultura com mais de cinco mil anos e que se mantém viva (é certo que os mais jovens já estão trazendo novos dados, eles já não usam a indumentária tradicional e têm adquirido novos hábitos e valores).
Os templos abrem às 5 da manhã, fecham entre meio-dia e 4 da tarde e reabrem até às 20h ou mesmo 23h da noite. O horário de fechamento no meio do dia é para limpar a quantidade enorme de flores e doações da manhã. No final da tarde todos ficam lotados.
Tudo na índia é muito lotado...de indianos!!! Eles são muitos...
A comida é um capítulo a parte, eu mesma amo pimenta, amo comida indiana, amo os temperos da Índia que comprei aos montes. Acontece que a comida indiana que comemos no brasil, ou mesmo em Londres, é uma comida acomodada ao nosso paladar ocidental. A água só mineral e nunca nunca se pode pedir gelo. A água deles é a mais poluída do mundo. No início comi comida indiana, mas depois passei a ir em restaurante chinês, italiano e acabei caindo na base da batata frita e queijo quente. Nada de caldo de cana na rua, nada de suquinho...tudo isso pode ser fatal. Não existe nenhum exagero em nada nisso...nem na sujeira dos monumentos, dos templos, das ruas e banheiros públicos.
Acontece que tudo isso faz parte da cultura indiana, que é imensamente rica e completamente diversa da nossa em quase tudo. O tempo todo é outro mundo... em tudo tudo. A luz, a névoa de poluição, os sarees das mulheres, as cores, dourados e indumentárias de um povo vaidoso com pele quase da cor do azul com negros cabelos lindos.
Ainda hoje sinto muita saudade da índia, de tudo o que vi e do que ainda quero, quem sabe um dia, ver.